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sexta-feira, fevereiro 27

Um resto de jantar feliz 


M., 6 anos

Incertezas para o jantar 

Vinham 11 douradinhos numa embalagem de 10! Versão moderna do trevo de 4 folhas?

quarta-feira, fevereiro 25

cientistas e ética 

para mim os cientistas são as pessoas mais importantes (e poderosas) do mundo! se eles se recusassem a desenvolver, construir, manter e operar as armas de destruição em massa haveriam apenas armas convencionais, e mesmo essas não muito sofisticadas_ a humanidade viveria com muito menos medo de um possível/provável apocalipse_ então porque não o fazem, porque não se recusam a participar em programas não éticos, moralmente inaceitáveis? porque precisam de comer? porque acreditam no que fazem? porque acreditam no bom uso do seu trabalho por parte dos governos?
para mim, os cientistas são as únicas pessoas com capacidade de verdadeiramente mudar o mundo, no melhor e no pior sentido_ sejam as vacinas sejam as armas biológicas, seja a internete seja a bomba de hidrogénio_

latim 

o latim foi durante séculos a língua de comunicação universal, o papel que o inglês ocupa nos tempos modernos (e foi a língua da religião cristã durante muito mais tempo)_ os artigos e livros científicos eram escritos em latim, bem como a correspondência entre os cientistas_ surgiu agora um livro, "x-treme latin: unleash your inner gladiator" por henry beard, criativamente renovando o latim com traduções mais do que livres de expressões e objectos modernos_ ele refere que o latim ainda é profusamente utilizado no dia-a-dia pelos advogados para nos enganarem, pelos médicos para nos assustarem e pelos vendedores de plantas para aumentar o valor das suas espécies_
alguns exemplos de novas (e úteis) expressões para várias ocasiões:
num avião - "Heia, amice, utrum illae sunt sarcinae tuae, an modo Carthaginem despoliasti?" (oh pá, isso é a tua bagagem de mão ou acabaste de saquear cartago?)
no computador - "Assume plicam damnatam, o tu moles muscaria muscerdarum" (descarrega o maldito ficheiro, seu monte de esterco cheio de moscas)
concurso de t-shirts molhadas - "certamen inter mammosas tunicis madefactis vestitas"
bar sushi - "taberna Iaponica pulpamentorum incoctorum marinorum"
para apaixonados - "Nisi mecum concubueris, phobistae vicerint" (se não dormires comigo, os terroristas terão vencido)

O estádio da Nação, II 

Quando chegamos a Portugal vindos de Espanha, somos recebidos na fronteira por uma mensagem que diz qualquer coisa como: "Bem-vindo a Portugal, o estádio da Europa".

Pagámos para que os outros nos vejam como "estádio". Dizem-nos que é no "interesse de Portugal". No entanto, apesar das dezenas de vezes com que sou atingido por publicidade ao Euro 2004 por dia, ainda não consegui perceber qual foi o interesse em gastar tanto dinheiro com estádios (não só com a sua construção, mas também com a sua manutenção), quando temos tantas carências. Uma vez que está visto que não é com publicidade que isto lá vai, espero, para bem de nós, que a Europa não pense como eu... ("Qual o interesse em gastarmos tanto dinheiro com estados-estádios?")


[Adenda: ao reler o texto do post antigo cujo link indico acima, não resisto a relembrar a citação do Diário de Coimbra que lá aparece, sugerindo que seja lida deixando cair o "i" de estádio:

" 'Temos de encontrar uma fórmula mágica para rentabilizar o estádio', gracejou [Carlos Encarnação, Presidente da Câmara de Coimbra], deixando claro que, só com o futebol, serão pouco viáveis as tentativas de equilibrar as contas. Será preciso, na sua opinião, recorrer à cedência de espaços ou à realização de espectáculos."]

segunda-feira, fevereiro 23

tempo físico 

todas as leis mais fundamentais da física são invariantes em relação ao sentido da variável tempo(*), ou seja, se trocarmos t por -t, as equações continuam a ser válidas_ por exemplo: se filmarmos o choque de duas bolas de bilhar, e passarmos o filme em sentido contrário, em princípio não conseguimos dizer se o filme está a passar no sentido original se no sentido inverso (isto se desprezármos os efeitos dissipativos de energia)_ mas isto é completamente contrário à nossa experiência do dia-a-dia: um prato cai da mesa e parte-se, mas os pedaços não se voltam a colar e o prato a saltar para a mesa, ou seja, o tempo tem um sentido bem definido! aqui entra a segunda lei da termodinâmica que nos diz que no universo qualquer processo leva a que entropia (uma medida da "desordem" de um sistema) ou permaneça a mesma ou aumente_ um sistema entregue a si próprio evolui para a desordem, e é necessária energia para o levar de volta à ordem (como todos bem sabemos...)_ tudo isto tem a ver com estatística: o número de estados possíveis de desordem é muito superior aos estados possíveis de ordem (geralmente único)_ se todos os estados forem igualmente prováveis é lógico que a probabilidade de o sistema terminar num estado ordenado é muito pequena, e tanto mais pequena quanto maior fôr o sistema_
da segunda lei deduz-se que o sentido do tempo é o sentido em que a entropia do universo aumenta_ e o universo tende para a máxima desordem e para o fim de toda a forma de matéria organizada, como a vida_ isto parece tudo muito lógico dentro da teoria do big bang e da expansão eterna do universo_ mas se a expansão parar e depois se inverter, em direcção ao big crunch? aí a entropia vai começar a diminuir pois vão diminuir o número de estados possíveis (menor volume disponível), contrariando a segunda lei? as implicaçõs disto são profundas e bizarras_ o tempo inverte o seu sentido? a causalidade (o facto de a causa vir antes do efeito) é violada?
mas afinal o que é o tempo, essa variável fundamental, associada à energia (como a posição espacial está ligada à quantidade de movimento), das equações de física? pode filosoficamente dizer-se que o tempo é o que existe quando não existe mais nada_ mas se não existe mais nada o efeito do tempo não se faz sentir e então ele não existe!

(*) nas leis da física existe uma pequena violação da simetria do tempo (T) no decaimento fraco de mesões K e B, mas isto está completamente ausente dos fenómenos do dia-a-dia apesar de poder ter sido muito importante no início do universo, talvez até responsável pela aparente assimeria matéria-antimatéria que se verifica (o universo é aparentemente dominado pela matéria quando se pensa que no big bang matéria e antimatéria foram criadas em quantidades iguais)_



tempo 

durante vinte e sete anos, sempre no dia 17 de junho, uma familia argentina fotografou os rostos de cada um de seus membros, sempre na mesma posição e no mesmo lugar_ primeiro o casal, depois a chegada dos filhos, os cabelos brancos... agora colocaram a sua experiencia na internet_
a passagem do tempo_

sábado, fevereiro 21

A evolução do spam 

A minha caixa de mail é um caldo de letras onde o spam evolui a um ritmo impressionante. Já nem falo dos vírus informáticos, outros que tais. Ambos estão cada vez mais variados e sofisticados, à medida que são filtrados pelas barreiras impostas pelos programas anti-spam e anti-vírus, seus “predadores”, também cada vez mais complexos. Tal como os vírus que passam barreiras entre espécies ou as bactérias resistentes aos antibióticos. Estaremos a assistir a uma espécie de origem da vida cibernética?

Como será o spam do futuro? Sem querer ser exaustivo, tenho vindo a reparar em diferentes fases:

1. No início, o spam chegava sempre dos mesmos endereços, por isso era fácil criar uma blacklist de spammers, cujas mensagens iam automaticamente para o lixo.

2. Isso deixou de funcionar, porque os spammers passaram a usar endereços falsos, dinâmicos, com números e caracteres aleatórios, sempre diferentes.

3. Bem, pelo menos havia a alternativa de enviar mensagens com certas palavras para o lixo (como "penis", "FREE", "porn" ou "loan"). No entanto, essa técnica durou pouco pois agora eles usam "F*R*E*E", "E}{treme" ou "p0rn".

4. Apareceram então programas como o "SPAM assassin" que têm uma lista enorme de regras que ajudam a identificar o spam, regras que vão sendo actualizadas a cada nova versão. Cada regra vale um certo número de pontos consoante o grau de probabilidade de ser spam: por exemplo, se o texto contém "offers" vale 0.2, se há muitos pontos de exclamação no "subject" vale 0.4, etc... Se o número de pontos de uma mensagem for superior a um limiar, marca-se o título da mensagem com *******SPAM******, que é facil de apagar automaticamente.

5. Os spammers reagiram, contornando as regras de filtragem, numa tentativa de escapar à selecção e consequente destruição. Enviam spam só com imagens, sem texto, mas os anti-spammers adicionam um filtro para isso.

6. Neste momento recebo muitos spam parecidos com mensagens normais de mail, escritos como se fosse um mail pessoal, tipo carta, com um mínimo de HTML. As palavras que podem denunciar o spam são escondidas por exemplo usando os processos acima (ponto 3) ou pela técnica do meme das letras trocadas (cuja propagação na rede seguimos aqui na Aba).

7. Surgiram entretanto os filtros Bayesianos, capazes de definir por si as regras de selecção e de se adaptar ao utilizador (o que é spam para mim pode não o ser para outra pessoa). Basta enviar o spam que se recebe para uma pasta especial para o efeito, o conteúdo é analisado pelo programa que aprende a distingui-lo do conteúdo das outras pastas que não são spam. Depois, deixamo-nos de preocupar, o programa aprende: quanto mais spam recebermos, melhor funcionará o filtro (para mais pormenores, ver por exemplo este artigo ou este). O ideal mesmo é usar estes filtros em simultâneo com outras técnicas (blacklists, whitelists, etc), quanto mais barreiras melhor (a legislação também ajuda...).

8. Entretanto, nesta última semana, comecei a receber os mesmos spams repetidos 5 vezes, o que faz com que a sua visibilidade no écran aumente significativamente e eu me irrite cada vez mais.

O spam e o anti-spam continuarão a evoluir, a sofisticar-se e a diversificar-se (ah, a inevitável complexidade...). O spam tenderá a tornar-se cada vez mais parecido com as mensagens não-spam, pois só esse pode passar. O mimetismo, a camuflagem, no fundo a desinformação deverão ser o caminho da sobrevivência do spam. Podemos imaginar que, no limite da evolução, e assumindo que o problema é tecnicamente resolúvel, o único spam que consegue passar os filtros é de tal forma semelhante ao não-spam, que nem mesmo nós o conseguimos distinguir. Mas nessa altura deixaria de ser spam... Ou talvez a mensagem do spam seja sempre diferente de uma não-spam e nesse caso a diferença pode ser explorada pelos anti-spammers... Enfim, tenhamos esperança no desfecho desta luta.

Referências:
[1] - “Saving Private e-mail”, S.J. Vaughan-Nichols, IEEE Spectrum, Agosto 2003
[2] - Cartoon: Stayskal

quinta-feira, fevereiro 19

A adopção e os homosexuais 

A propósito da polémica que estalou ontem e das declarações bombásticas do Luís Villas Boas,
recebi esta mensagem de alguém que muito tem reflectido sobre os direitos das crianças e a
adopção em Portugal, e que aqui publico por na minha humilde ignorância subscrever as suas dúvidas
e certezas.


Claro que não concordo com ele (Villas Boas) mas não tenho uma opinião definitiva sobre o assunto,
certo é que nada pior que crescer numa instituição e o próprio Villas Boas entrega crianças a homens
sozinhos por isso não será tanto assim.

O Eduardo de Sá é a favor da adopção por homosexuais e diz que o importante
é que as crianças tenham adultos referência sejam eles de que sexo forem.
Importante mesmo é o carinho com que a criança é criada e que falta muitas
vezes nas famílias mais tradicionais.
Porém, não me parece que a adopção por homosexuais seja tão isenta de
problemas, há todo o contexto social e problemas de identificação da
própria criança, como em tudo parece-me que só visto caso a caso, mas os
técnicos que temos são uma desgraça e as crianças é que pagam.

Em suma, uma pessoa que está na posição do Villas Boas devia ter mais cuidado com
o que diz e na maneira como o diz, eu própria que não tenho as
responsabilidades dele já estive num debate sobre o assunto
com juízes e advogados e fiz questão de dizer que a matéria é muito sensível e
é difícil ter uma posição decisiva e generalizada sobre o assunto.

JP

quarta-feira, fevereiro 18

O bom exemplo que vem de cima 

Na Rua Larga (para quem não saiba, a rua que corre ao lado das Faculdades na Universidade de Coimbra) o trânsito só é permitido a transportes públicos. Obviamente o estacionamento também é proibido. No entanto, bastas vezes os passeios da Rua Larga estão cheios de carros, carrões escuros com um senhor mais ou menos fardado ao lado. È quando sabemos que está a haver uma qualquer cerimónia, ou abertura de congresso no Auditório da Reitoria e que uns quantos secretários de estado, ministros ou outras individualidades andarão por ali.

Verdes Anos 


fotografia de Helmut Newton

Era o amor
que chegava e partia
estamos os dois
era o calor
que arrefecia
sem antes nem depois.
era o segredo
sem ninguém para ouvir
era o engano
e era o medo
a morte a rir
dos nossos verdes anos
no nosso sangue corria
o(um?) vento de sermos sós
Mas se à noite era dia
e o dia acabava em nós

Letra: Pedro Tamen
Música: Carlos Paredes
Canta: Mísia

Digam-nos frontalmente, nós aguentamos a verdade 

Se há coisa com que eu não estou preocupado, é com o que a selecção nacional vai vestir nos jogos do Euro. No entanto, hoje li esta notícia onde nos dizem que a FPF e a Nike apresentaram o novo equipamento da selecção, que “irá melhorar o rendimento desportivo dos futebolistas e cujo segredo reside numa revolucionária camisola apelidada de 'Distração Zero'". Além disso, é mais leve, é o último grito tecnológico, bla bla bla, patati patata. “Distracção Zero”, que paleio! Como se tivessem mudado o equipamento por razões tecnológicas. Se assim fosse, não precisavam ter mudado o design...

Gostaria que nos dissessem simplesmente: "queremos ganhar o máximo de dinheiro com a venda de equipamento. Tivemos de mudá-lo, porque os nossos potenciais clientes não iam comprar camisolas iguais às que já tinham em casa. Periodicamente mudaremos o design, tal como fazem outros grandes clubes, pois é uma forma fácil e garantida de ganhar dinheiro".

É normal querer-se ganhar dinheiro, todos compreendem. Mas será que havia necessidade de nos quererem enfiar o barrete (e o cachecol, camisola,...), camuflando os verdadeiros propósitos da mudança de equipamento? E será assim tão inevitável que as técnicas das agências de publicidade, em competição feroz entre si e cada vez mais filtradas pela selecção (a de Darwin, não a nacional), tenham de recorrer cada vez mais frequentemente à desinformação em maior ou menor grau?

segunda-feira, fevereiro 16

A arte na ciência, a ciência na arte, Vermeer 



Vermeer, o pintor de “The Girl with a Pearl Earring” foi o mestre da luz.
Tudo nesta pintura “View of Delft” é magnificente: a água, as nuvens e o céu, o friso de edifícios.
Dizem que o pintor se socorreu neste e noutros trabalhos de uma “camera obscura”, precursora no sec XVII do que viriam a ser as máquinas fotográficas, para projectar a paisagem num ecran plano. Diz-se ainda que a mestria no tratamento da luz lhe terá vindo também das longas conversas que mantinha com o seu amigo Antoni van Leeuwenhoek, pioneiro dos microscópios.


View of Delft , Vermeer 1660-61

O incerto peso da alma 

Na revista Pública (aparentemente ainda não disponível na internet) fala-se da lenda urbana do peso da alma, cuja origem é um artigo de 1907 de D. McDougall publicado na página 237 do primeiro número do Journal of American Psychology Research. Este trabalho é um exemplo clássico de uma experiência mal projectada, com uma amostra pouco significativa , na qual se usam apenas os resultados dos ensaios que estão de acordo com o que se quer demonstrar [M.S. Epstein, "Using Bad Science To Teach Good Chemistry", J. Chem. Educ. 75 (1998) 1399]. Digno de nota também no artigo da Pública é o uso mágico dos algarismos significativos. A conversão de onças para gramas faz aumentar a precisão do valor...

sábado, fevereiro 14

A mãe de todas as Tables of Contents 

Este deve ser o mais assombroso índice que existe. Complexidade, evolução, auto-organização, linguagem, memética, cibernética, superorganismos sociais, cérebros globais, sistemas políticos e religiosos, ética, o sentido da vida, o futuro da humanidade e muito, muito, muito, muito, muito mais. Só visto.

sexta-feira, fevereiro 13

a ciência do amor 

"os cientistas estão a descobrir que, afinal, o amor é apenas um "vício" químico entre pessoas"


artigo da revista the economist
de 13 de fevereiro de 2004

alguns extractos, livremente traduzidos:

ao longo da história foram os artistas, poetas e dramaturgos que mais contribuiram para o progresso no entendimento do amor por parte da humanidade_ o romance sempre pareceu tão inexplicável como a beleza de um arco-íris_ mas estes dias os cientistas estão a desafiar esta noção_ e eles têm imenso a dizer acerca de como e porquê as pessoas se apaixonam_
é isto útil? os cientistas pensam que sim_ para começar, perceber os caminhos neuroquímicos que regulam as ligações sociais pode ajudar a lidar com deficiências na capacidade das pessoas em estabelecer relações_
(...)
o amor é muito mais do que apenas genes_ factores culturais e sociais, e aprendizagem, têm todos papeis importantes_ quem e como uma pessoa amou no passado são determinantes importantes na sua capacidade de se apaixonar no futuro_
(...)
o progresso na previsão do resultado das relações, e a informação acerca das raízes genéticas da fidelidade, podem tornar uma proposta de casamento mais como a contratação de um funcionário por parte de uma empresa, com testes médicos, genéticos e psicológicos_ se fosse suficientemente fiável, será que as companhias de seguros nos cobririam o risco de divórcio?
(...)
os românticos sempre souberam que o amor é um tipo especial de química_ os cientistas estão agora a mostrar quanta verdade há nisto_

Sopa de letras musical 

Na música, as letras da sopa são o dó-ré-mi ou C, D, E, F, G, que podemos agrupar em memes como o “ta-na-na-nam” de Beethoven. Combinando grupos de notas de uma certa maneira (e também os instrumentos e efeitos sonoros), obtemos músicas que podem agradar a grandes populações. As “forças” que levam à criação de novas músicas podem ser por exemplo o prazer de tocar/cantar/criar, a atracção da fama ou simplesmente a vontade de ganhar dinheiro.

Consideremos o caso dos que estão interessados em ganhar dinheiro com a música. Se não escolherem músicas de que o grande público goste, podem perder dinheiro, mesmo que invistam muito em publicidade. Podem falir, desaparecer, não passam o filtro da selecção. Os que encontram as músicas de sucesso ganham dinheiro, repetem a dose e são imitados: “reproduzem-se”. Na próxima geração aparecem mais músicas semelhantes às que anteriormente tiveram sucesso e menos semelhantes às que foram um flop. Aos poucos, vão-se encontrando fórmulas, definindo-se estilos, criando-se boys-girls-bands, grupos de cantos gregorianos, etc. E assim evolui a música comercial, ao sabor da selecção provocada pelos gostos dos diferentes públicos-alvos (há muitos e por isso a evolução ocorre em sentidos diversos).

A isto se junta a evolução de muitas outras técnicas, como as de marketing, que evoluíram no sentido de encontrar fórmulas cada vez mais eficientes para nos conseguir mostrar e vender o produto (o beijo da Madonna a Britney Spears, o seio de Janet Jackson, os corpos cada vez mais suados e sexy dos telediscos, as coreografias cada vez mais estudadas e estravagantes...). E assim evoluímos para uma situação onde os cantores que têm sucesso em certos públicos têm de ser belos, usar roupa sexy, despir-se bastante, mudar frequentemente de imagem, provocar pequenos escândalos e notícias em abundância, ter telediscos “hot”, etc. Se não possuírem essas “qualidades”, é melhor dirigirem-se a outro tipo de público.

A evolução humana, seleccionada pelos nossos gostos, ideias e outros factores, cria de facto seres humanos bizarros, à semelhança da selecção natural, que pode produzir os bichos mais estranhos.

quinta-feira, fevereiro 12

evolução 

existe uma coisa que me vem intrigando há já muito (demasiado) tempo na evolução das espécies_ apesar de não ter feito a viagem no beagle (a de grande sucesso doedarwin, que passou pelas galápagos, não a outra para marte...), cada vez me parece mais que a adaptação dos seres vivos ao meio ambiente é demasiado rápida e especializada para que seja devida apenas a mutações genéticas fortuitas que, caso sejam positivas, prevalecem fruto da selecção natural (a lei do mais forte...)_ ou talvez apenas a escala temporal seja tão grande que está para além do meu entendimento! parece-me que, a par deste mecanismo, existe algo mais_ algo como uma modificação do dna, ainda que a um nível muito pequeno, dos seres vivos fruto de factores ambientais_ por exemplo, se uma pessoa viver a altitudes elevadas, onde o ar é mais rarefeito, o organismo tem de se adaptar a essa carência de oxigénio_ o seu dna vai ser subtilmente modificado nessa adptação, e essa alteração é transmitida às gerações seguintes_ a geração seguinte já estaria ligeiramente mais adaptada à vida em altitude_ quem diz em altitude, diz numa região mais seca, ou mais fria_ claro que se isto fosse verdade, a taxa de adaptação e o grau de especialização dos seres vivos seria muito mais rápida e profunda do que no mecanismo de darwin da evolução das espécies_ mas isto é apenas pura especulação da minha parte...

Olhar para a sopa 

Olho para o Big Brother (não o da TVI, mas o dos Swimbots) e vejo o mundo.

Os Swimbots estão fechados numa sopa 24 horas por dia. Podemos espiá-los a qualquer hora. Há acção, cenas de amor e sexo com fartura. Tal como no Big Brother, os concorrentes são seleccionados e ficam apenas "os melhores", o que quer que isso queira dizer.

Eles encontram-se aqui. É giro deixá-los a nadar na sopa e voltar umas horas mais tarde. Surpreendemo-nos com o poder do braço de ferro entre a selecção natural e a selecção sexual. Tal como com os pavões, segundo se refere no texto de introdução do jogo:

"How important is it to be beautiful? Even though the male peacock has to work to carry around that magnificent tail, it comes in handy when it is time to attract mates, and thus it is important for reproduction."

Mas na vida real, há tantas outras selecções...

Sopas de letras 

Volto às sopas primordiais, de que já falámos na Aba, por exemplo aqui. Da sopa de H, O, C, N passou-se ao C, A, T, G do ADN. Na sopa, umas letras (ou combinações de letras, moléculas ou genes) foram sendo seleccionadas e aparecem mais do que outras: são mais "estáveis" (aqui estabilidade significa "criar-se bem e destruir-se mal"). O tempo, esse grande escultor e iterador, garante que apenas os mais aptos sobrevivem.

Com as ideias, culturas, memes, é semelhante. Também elas são letras que bóiam num "bouillon de culture". E é fascinante olhar para a sopa, como diria Spock, o das orelhas.

terça-feira, fevereiro 10

A frase 

"A 'sobrevivência do mais apto', de Darwin, é, na realidade, um caso especial duma lei geral da sobrevivência do estável."
Richard Dawkins, "O gene egoísta"

segunda-feira, fevereiro 9

A incerteza da estação 

Em exibição num jardim perto de si.

Uma citação preciosa: usar com cuidado... 
















"(...) Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better."

Samuel Beckett


Pavilhão Relógio de Sol 

É muito bonito, tem nome de Relógio de Sol e parece um relógio de sol equatorial, mas, se calhar, fica apenas pelo parecer. Tal como um relógio avariado ou apenas pintado numa torre, é como um adereço cenográfico: pode ser bonito, mas dificilmente servirá de relógio.

A parede inclinada deve fazer um ângulo com o chão igual a 90 graus menos a nossa latitude (que é cerca de 40 graus) e isso parece correcto. No entanto, o gnómon (o mastro) deveria estar no seu centro ou no seu topo, perpendicular à parede, apontando para o Norte, mais ou menos para a Estrela Polar, mas está em baixo, não podendo a sua sombra incidir sobre a parede!

Embora existam muitos desenhos possíveis para relógios de sol (equatoriais, horizontais, verticais, analemáticos, etc.) é fundamental que de alguma forma a luz do sol crie uma sombra em algum lado, durante pelo menos uma parte do dia e que, para que a posição das horas não se modifique com a época do ano, o ângulo do gnómon com o solo seja igual à latitude. Para aqueles que possam pensar que o relógio do sol não não é na parede, mas no chão, deve dizer-se que acredito que tal seja possível, mas, assim perde-se uma parte do efeito (só se podem ver as horas no local).

Quase tudo sobre a construção de relógios de sol se pode entender com a trigonometria que se aprende na escolaridade obrigatória. Aproveito para referir que o Kit de Latitudes e Longitudes editado pela Ciência Viva é um magnífico presente para crianças e adultos, que contém, entre outras coisas, uma bússola, um relógio de sol (os ângulos estão bem para Coimbra), um quadrante e cadernos explicativos. Aqui em Coimbra creio que pode encontrar-se no Exploratório Infante D. Henrique!

[Peço desculpa por uma série de erros que penso ter corrigido cerca das 14:40! E por ter ainda feito alterações por volta das 15:30! É caso para dizer como Samuel Beckett, engana-te outra vez, engana-te melhor!]

quarta-feira, fevereiro 4

Faça o teste 

Aqui pode descobrir (ou não) a besta que há em si. :-)

(estranhamente, "George W Bush" não é - não acredito nada nisto.)

Somos todos besta 

Estamos rodeados de bestas. Bill Gates é o anti-cristo, como refere o portal Jovem Adventista, pois se somarmos os códigos ASCII correspondentes a cada letra e adicionarmos 3 (que tiramos do facto dele se chamar “William Henry Gates III”...) dá 666.

Dizem que somando os valores ASCII em “Windows 95“ dá 666, mas na realidade dá 665. No entanto, em “MS-DOS 6.21” dá mesmo 666, c’os diabos! Tal como WWW, que é, obviamente, V / V / V /, logo 666.

David Hasselhoff também é abestalhado, basta somarmos os números correspondentes às posições da letra no abecedário. Nero, Lutero, Hitler, Reagan, Napoleão também lá vão ao 666, se escolhermos a forma de conversão adequada e adicionarmos uns pózinhos... Com um empurrãozinho, até uma das fundadoras da igreja Adventista do 7º dia, Ellen Gould White, vai ao 666, embora tal seja contestado pelos adventistas...

Da bestialidade dos números e das pessoas 

Há dias, recebi no correio publicidade diferente do habitual: era um folheto e um livro, de 4+32 páginas, com muitas figuras a cores e texto em letrinha miudinha. Não era fácil perceber o que se queria anunciar nem a proveniência. Dada a ausência de logotipos e de slogans, comecei a ler o texto em destaque, mas não percebi patavina:


“UM PODER MUNDIAL ÚNICO
Então o profeta viu outro poder que se levantava na Europa: ‘
Eu considerava os chifres, e eis que entre eles subiu outro chifre, pequeno...’ (Dan. 7:8). Este poder possui as seguintes características de identificação:
SAIU DENTRE OS 10 CHIFRES (Dan. 7:8)
O
papado (508 D.C.) foi esse ‘chifre pequeno’ que saiu dentro das 10 tribos germânicas.”

(as MAIÚSCULAS e o negrito estão como no original)


O texto continuava no mesmo estilo, com estranhos títulos a destacarem-se: "TRÊS CHIFRES FORAM ARRANCADOS", "ERA MUITO DIFERENTE DOS OUTROS CHIFRES", "SERIA MAIS FORTE DO QUE OS OUTROS CHIFRES", etc.

Muitas citações da bíblia e profecias depois, lá consegui perceber que o prospecto era da Igreja Adventista do Sétimo Dia, embora tal não fosse dito em lado nenhum que tivesse lido. Depois dos chifres, sucediam-se longas partes de texto que não li, entremeadas por títulos com os dizeres: "A BESTA", "A SEGUNDA BESTA", "A IMAGEM DA BESTA", “O SINAL DA BESTA”...

Parei aí, pois nessa secção provava-se, quase literalmente por A+B, que o papa tem o sinal da besta, pois "o seu título oficial é 'Vicarius Filii Dei', que significa 'Representante do Filho de Deus'", correspondendo assim ao número da besta, 666 (se se somarem os valores das letras que correspondem a algarismos em romano, como se vê na figura).

Uma vez mais se prova que os números são bestiais: até para bestializar servem.

terça-feira, fevereiro 3

a meio caminho na pradaria de BEC-BSC 

traduzido livremente de "PHYSICS NEWS UPDATE" The American Institute of Physics Bulletin of Physics News, Number 671, January 30, 2004, by Phillip F. Schewe, Ben Stein, and James Riordon


investigadores no colorado descobriram uma nova forma de matéria atómica, um condensado de fermiões diferente de tudo o que tinha sido visto antes_ na abordagem a este tópico, concepcionalmente difícil mas rico em física, vamos avançar por partes: fornecendo os conceitos de mecânica quântica, definindo a palavra "degenerescência", sumariando o novo estado atómico, e, finalmente, abordando as vantagens do novo estado_

1_ fundamentos quânticos_ ao explorar a paisagem exótica dos gases quânticos, os físicos têm dado muita atenção aos átomos bosónicos (átomos cujo spin - momento ângular intrínseco - total tem um valor inteiro, como 0, 1 ou 2)_ em 1995 os cientistas tiveram sucesso no arrefecimento de átomos bosónicos de forma que, num sentido quântico, os átomos se começaram a sobrepor, a tal ponto que não podiam ser distinguidos e se tinham, na prática, tornado parte de um única entidade quântica chamada condensado de bose-einstein (BEC)_ os fermiões (que possuem spins semi-inteiros, como 1/2 ou 3/2 ou 9/2), sejam partículas elementares como electrões e quarks, ou átomos completos (e ao determinar se um átomo é um bosão ou um fermião têm de se somar os spins de todos os protões, neutrões e electrões que o constituem), não se comportam como bosões_ o princípio da exclusão de pauli determina que dois fermiões idênticos não podem ocupar o mesmo estado quântico_ a maior parte da química na terra, e em qualquer outro lado, é determinada pela simples regra de pauli: os electrões preenchem as orbitais atómicas de tal forma que nenhuns dois electrões possuem exactamente os mesmos valores quânticos_ as orbitais parcialmente preenchidas determinam qual o tipo de afinidade química que o átomo manifesta_ note que átomos fermiónicos não estão impedidos de interagir em reacções químicas normais (internamente os átomos possuem diferentes configurações nuclear e electrónica)_ mas eles não podem entrar em grandes condensados quânticos do tipo BEC, onde os átomos de facto possuem os mesmos atributos quânticos_

2_ degenerescência_ o pauli está sempre de serviço, mas ele manifesta-se principalmente na determinação do estado quântico, como as orbitais dentro de um átomo ou no melaço congelado de um poço atómico ao nível de micro graus kelvin_ neste ambiente rarefeito, os bosões podem cair todos num único estado BEC_ tendo todos a mesma energia, esses átomos dizem-se degenerados_ com os fermiões é bastante diferente_ num certo ambiente quântico, sejam electrões a mover-se através de um cristal ou átomos fermiónicos congelados num poço, os fermiões são obrigados a preencher, um a um, todos os possíveis diferentes estados quânticos de energia, começando pelo nível mais baixo_ num diagrama de níveis de energia, os fermiões parece que estão pendurados nos degraus de uma escada, preenchendo cada um apenas um dos degraus_ (o degrau mais elevado é chamado a energia de fermi, e a temperatura a que corresponde essa energia é chamada a temperatura de fermi)_ um exemplo simples: os electrões livres num cristal metálico, mesmo à temperatura ambiente, são desta forma obrigados a assumir o conjunto das energias permitidas quanticamente_ esses electrões diz-se que constituem um gás de fermi degenerado_ no contexto dos fermiões, "degenerado" significa que as partículas preenchem a totalidade dos estados possíves de energia_ criando um tal gás de átomos fermiónicos degenerados provou ser mais difícil do que obter um gás de átomos bosónicos (BEC) degenerados_ de facto, um gás de fermi degenerado foi conseguido apenas de 1999, numa experiência por deborah jin e os seus colegas do NIST/JILA, o mesmo laboratório onde os novos resultados foram
conseguidos_ a propósito, apesar dos físicos assumirem há muito que o princípio de pauli se aplica a átomos (objectos compostos) tal como a electrões (partículas verdadeiramente elementares), foi apenas em trabalhos recentes que este facto foi demonstrado experimentalmente_

3_ novo estado da matéria_ fermiões, se os emparelharmos, podem tornar-se bosões_ e desta forma, os fermiões podem entrar aos pares num condensado quântico_ há no entanto um espectro completo de mecanismos de emparelhamento_ um extremo é o caso onde os átomos se emparelham de uma forma forte, depois do qual eles podem (como moléculas) colapsar num condensado de Bose Einstein (BEC)_ no outro extremo do espectro, os átomos podem emparelhar-se de uma forma fraca, ou ainda combinar-se num estado não ligado, mas correlacionado, análogo aos pares de electrões de cooper (BCS) que são a essência das correntes quânticas em supercondutores, ou os pares de átomos de hélio-3 que constituem um superfluido_ nos últimos meses vários laboratórios anunciaram a formação de condensados de moléculas ligadas fortemente_ agora deborah jin e os seus colegas cindy regal e marcus greiner, do NIST e da universidade do colorado, anunciaram a realização de grandes progressos no movimento no plano entre as alternativas de emparelhamento do BEC ao BCS_ o tipo de emparelhamento pode ser ajustado através da ateração subtil do valor de um campo magnético externo_ os investigadores do NIST, que arrefeceram átomos de potássio-40 até temperaturas de micro graus kelvin, estão na região de cruzamento: eles não estão no regime BEC porque o campo magnético aplicado não permite o tipo de emparelhamento necessário para obter um condensado BEC_ além disso eles podem afirmar que também não estão no regime BCS porque a intensidade da interacção entre os átomos é demasiado forte para o tipo do empararelhamento fraco de cooper, que ocorre na superconductividade ou nos superfluidos de hélio-3_ esta nova forma de condensado de matéria atómica não deve ser entendida apenas como um estado intermédio entre as alternativas de emparelhamento BEC (forte) e BCS (fraco)_ eric cornell (também no NIST mas não fazendo parte do grupo de jin), que recebeu o prémio nobel pela sua contribuição para a descoberta do BEC, descreve o novo estado no NIST como "um novo e dramático tipo de condensado fermiónico, basicamente emparelhamento de cooper no limite dos campos fortes"_

4_ avaliação_ um dos objectivos de prosseguir esta investigação é a possibilidade de
formar novos tipos de pares de cooper ou superfluidos, e, possivelmente, de produzir diferentes tipos de superconductividade à medida_ nesses gases de fermi frios as interacções (e a intensidade do emparelhamento) podem ser ajustados rodando simplesmente um manípulo (alterando o campo magnético), o que é mais do que se pode dizer acerca da superconductividade convencional, metálica ou cerâmica_ aqui existe a indicação de que este trabalho pode levar a superconductividade a uma temperatura mais elevada, mesmo à temperatura ambiente: no novo condensado fermiónico de potássio a razão entre a temperatura de transição (a temperatura a que a condensação de pares ocorre) e a temperatura de fermi é cerca de 1 para 5_ nos superconductores convencionais de baixas temperaturas a razão é de 1 para 1000 (ou mesmo 1000 000)_ mesmo para supeconductores de alta temperatura a razão é de 1 para 100_

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