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segunda-feira, março 29

Enid Blyton versão sec XXI 

A Carolina, por sugestão de uma amiga, comprou ontem os primeiros livros do Colégio das Quatro Torres. O primeiro espanto foi dela: “Tu lias estes livros quando tinhas a minha idade? São assim tão velhos?”. Depois foi a minha vez: a aproveitar o sol, sentámo-nos num banco do jardim, eu a ler o jornal, ela um dos livros em voz mais ou menos baixa. A certa altura oiço um “é bué de fixe”. Penso que se está a referir ao livro. “Gostas?” “Não, bué de fixe está aqui escrito” - afinal era um comentário de uma das alunas do tradicional colégio inglês!


palestina 

li, e recomendo vivamente, a banda desenhada "palestina" do joe sacco_ são dois volumes ("terra ocupada" e "na faixa de gaza") que relatam a experiência da estadia do autor, durante vários meses, em israel e na palestina, na fase final da primeira intifada_ artisticamente é soberbo, politica e socialmente é revelador de uma situação que muitos de nós desconhecemos: a miséria, a falta de expectativas, a opressão, a humilhação, a provocação, a injustiça diárias a que é sujeito o povo palestiniano_ tudo isto é mostrado com um enorme humanismo e sentido de humor_ o joe sacco refere explicitamente que está a mostrar apenas a perspectiva dos palestinianos pois a perspectiva dos israelitas é todos os dias mostrada nas notícias! ele viajou por toda a margem ocidental e faixa de gaza, tendo permanecido na casa de palestinianos e falado com muitos deles, que relatam as suas experiências sob a ocupação_ falou ainda com as pessoas mais velhas, as que foram expulsas de israel pelos judeus_ nesse relato todas as pessoas queriam a paz mas não tinham qualquer esperança nos acordos de oslo_ esta obra é uma enorme surpresa, que nos dá uma visão completamente diferente do conflito, numa linguagem gráfica muito clara_

sábado, março 27

Fiat Lux! 


Já foram colocados em Coimbra há uns meses, mas vale sempre a pena mostrar: em frente a certas escolas, como a nº10 da Solum (foto), há uns candeeiros mais baixos, que iluminam a passadeira e que têm uns néons azuis, bem visíveis para os condutores. Fez-se luz nas passadeiras e nas cabeças dos autarcas! Ilumine também o seu!

sexta-feira, março 26

Nem de propósito... (Epílogo II) 

"We All Make the Little Flowers Grow"

Cowards and Heroes, listen my friends.
If you have money and nothing to spend.
It'll make no difference in a hundred years or so.
Sooner or later we all make the little flowers grow.
Wise men and fools, you'll get the fire.
You'll never get out of this world alive.
Don't run and hide, it's no use I know.
Sooner or later we all make the little flowers grow.
Short men and tall men and all the rest.
Please, don't blame me I didn't start this mess.
Some of us stay, some of us go.
Sooner or later we all make the little flowers grow.

(Stephen Jones & Luke Scott, no disco de homenagem a Lee Hazlewood, "Total Lee".)

Epílogo 

Ontem no canal Hollywood, passou Barry Lyndon do Kubrick.
O filme acaba com estas proféticas, terríveis e Bíblicas palavras : "It was in the reign of George III that the aforesaid personages lived and quarreled; good or bad, handsome or ugly, rich or poor, they are all equal now."



quinta-feira, março 25

baixas calorias 

estudos recentes, ainda apenas com ratos, dizem que uma dieta pobre em calorias prolonga a vida de um factor extraordinário! se essa dieta pobre começar logo após o nascimento, um rato pode viver em média cerca do dobro de um rato com uma dieta normal_ se começar esta dieta apenas quando já é velho, pode ainda assim viver em média cerca de 40% mais do que os seus colegas de dieta normal_ espantoso, não é? claro que será muito difícil fazer a extrapolação para animais maiores e mais complexos, nomeadamente os primatas como nós, mas não deixa de ser promissor_ em particular para o estudo da relação que existe entre os genes e o ambiente, nomeadamente a alimentação, no capítulo da longevidade_

nota: talvez não seja muito interessante ter uma dieta pobre em calorias toda a vida só para aumentar a longevidade para o dobro_ ter uma vida miserável, sempre esfomeado, só para viver mais dessa vida miserável, não parece ser o bom caminho para a felicidade! mas talvez uma pessoa se habitue...

quarta-feira, março 24

Therese 



Balthasar Klossowsky Balthus

Os Eternos Esquecidos 

Joaquim Fidalgo escreve no Público de hoje:

“Há uma terrível guerra em curso no Sudão, e quase ninguém sabe. É uma guerra que não passa na televisão, porque ainda está muito longe da gente (onde fica o Sudão?, bem gostava de ver a pergunta feita a algum/a jovem licenciado/a no concurso Um Contra Todos!), porque não mete americanos, porque os grandes "media", para já, não a descobriram. Mas contam-nos os jornais (alguns jornais...) que é uma guerra trágica, semelhante ao genocídio de 1994 no Ruanda, um outro conflito que os principais "media" descobriram tarde, quando já havia milhares e milhares de mortos, daqueles que dão imagens fantásticas para o World Press Photo. Contava o PÚBLICO de sábado que num só confronto desta guerra entre etnias tinham sido violadas mais de 100 mulheres. E nós que julgávamos que só há guerra no Iraque.
Há números assustadores quanto à sida em muitos sítios de África. Na Suazilândia, por exemplo, 40 por cento da população (40 por cento da população!) está infectada com o vírus. Ali perto, no Botswana, as mais recentes estatísticas foram motivo de satisfação porque a taxa de infecção já é "só" de 37,5 por cento dos habitantes... Soube também pelo jornal. Também não me consta que a notícia tenha passado na televisão. Não é um "evento", não tem historinha dentro, não tem ministro a dizer que, não mostra gente com lágrimas, é longe e custa caro para mandar um repórter ou uma equipa. Aliás, onde fica a Suazilândia?... E o Botswana?... “



Já chamei aqui a atenção para uma excelente revista dos missionários combonianos, que qualquer um, independentemente das suas crenças ou não crenças religiosas, deveria conhecer, A Além Mar , já que estes missionários mantêm uma luta sem tréguas em relação ao esquecimento a que estes povos estão votados por parte do mundo ocidental. Porque guerras não há só no Iraque ou na Palestina!

terça-feira, março 23

No train to Stockholm 

One night Johnny sang the truth for me
on an unknown bound train from Tennessee
taught me all the letters in alone

singing "freedom is what you think it is,
but there ain't no train to Stockholm"

received your invitation to the war
I sent it back, so please don't send no more
I'd rather lie in some jail all alone

singing "freedom is what you think it is,
but there ain't no train to Stockholm"

if I had to ride this train a hundred years
and all I had to drink is my own tears
I wouldn't kill for you or on my own

singing "freedom is what you think it is,
but there ain't no train to Stockholm"

governments and politicians too
there's lots of people feel the way we do
a hundred millions of us can't be wrong

singing "freedom is what you think it is,
but there ain't no train to Stockholm".

(Versão de Erlend Øye no álbum de homenagem a Lee Hazlewood,"Total Lee!".
Canção sobre a guerra no Vietname, numa altura em que Lee vivia em Estocolmo.
Curiosidade: Lee cantava "Freedom is where you think it is" e não "Freedom is what you think it is".)

segunda-feira, março 22

Um Adeus Português 

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais perigoso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada

Mas tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez do desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta cama comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Não tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão lenta e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O'Neill (1924 - 1986)


sexta-feira, março 19

"A vanguarda do Marketing de cidades" 

"Figueira da Foz tem nova mascote", leio no Jornal de Coimbra desta semana. Os responsáveis da Figueira Grande Turismo - Empresa Municipal dizem: "Uma vez mais, o Conselho da Figueira da Foz mantém-se na vanguarda do Marketing de Cidades, procedendo ao lançamento da nova Mascote, com o intuito não só de renovar os produtos de merchandising, mas sobretudo tendo em vista o alcance de públicos mais jovens."

Acrescentam ainda: "Para que a interacção e penetração no mercado dos novos produtos de merchandising, e da própria mascote, seja facilitada, a Figueira Grande Turismo - EM, optou por não lhe atribuir um nome, sendo que, para o efeito, lançou um concurso entitulado "Dá-me um nome" [...]". (ganha-se uma mota e um capacete.)

O que está a dar é a cultura futebolística, o merchandising e a sua renovação frequente. Aceitam-se ideias para a Mascote de Portugal: temos de nos manter na vanguarda do Marketing de Países, quando o Euro acabar!

catástrofes (dados 2003) 

de acordo com a Swiss Re, uma companhia de seguros, no último ano morreram
60 000 pessoas em 380 catástrofes (naturais ou provocadas pelo homem)_ os tremores de terra foram responsáveis por três quartos das vítimas_ a maior catástrofe em termos de perdas de vidas humanas foi no irão, onde 41 000 pessoas morreram no tremor de terra na cidade de bam_ tempestades violentas na américa causaram o maior custo para as companhias de seguros, com o pagamento de cerca de 3 000 milhões de dólares em compensações_

da revista "the Economist" de 18 de março de 2004

comentário: é óbvio que o número de vítimas provocado pelas catástrofes escondidas é
possivelmente milhares de vezes superior_ vítimas da fome (em particular da subnutrição), da má qualidade da água, de doenças evitáveis, das armas de fogo, ...


quinta-feira, março 18

Ainda a adopção por homossexuais 

A adopção, como qualquer acto em que estejam envolvidas crianças, rege-se (ou deveria reger-se) pelo Princípio do Superior Interesse da Criança. No que respeita á adopção este princípio tem como corolário “Encontrar uma família para a criança e não uma criança para uma família”. E a partir daqui todas as situações são passíveis de serem analisadas, uma a uma, caso a caso.
Dizem, “uma criança precisa de ter referências de ambos os sexos”, o que não acontece caso seja adoptada por um casal de homossexuais. Pois, se calhar é importante, mas que dizer do número crescente de crianças que vive em famílias monoparentais (por divórcio, por viuvez, por opção)? Decididamente o argumento não pode ser esse!
Uma criança precisa do colo de uma família, precisa de um amor exclusivo de alguém de quem possa dizer “este é o meu pai” ou “esta é a minha mãe”. Precisa de crescer num ambiente equilibrado e harmonioso.
Poderá um homossexual cumprir estes requisitos? À partida diria que uns sim outros não, tal como os heterossexuais. Mas, que sei eu?
Pudéssemos nós confiar naqueles que em Portugal têm o poder de analisar e de decidir. Mas enquanto os nossos técnicos continuarem a pensar que o que é necessário é “encaixar” as crianças que lhes vão ter às mãos, nem que seja numa família de acolhimento, que acolhe o menino a pensar nos proventos económicos que daí poderá tirar*...

*Só num pequeno concelho do nosso país há mais de 150 meninos a viverem nessas famílias de acolhimento!

terça-feira, março 16

Sedna 


Dá vontade de andar pelo espaço a descobrir novos mundos. O que haverá para lá daquele planeta, e para lá do outro? E em redor daquela estrela? Nós.

Sedna, o maior objecto encontrado no Sistema Solar desde a descoberta de Plutão, em 1930, foi ontem anunciado.

segunda-feira, março 15

Luto 

Quando na Sexta-feira passada “postei” (detesto estes “neologismos”) irrelevâncias, a voz da culpa falou dentro de mim: “frivolidades” em tempos de luto e de tragédia!?! Mas a realidade é essa, nós continuamos vivos, e ainda bem! Que a memória do que se passou, que a memória de quem morreu só pode perdurar nos corações dos que estão vivos e lutadores. E perante a dimensão da dor o silêncio solidário é, na maioria das vezes, a única resposta aceitável.

sábado, março 13

O mundo cilíndrico 

"Óóó Rama Ó que linda Raama..."

Rama, de Arthur C. Clarke. Qual será a sensação de estar no interior de uma imensa nave extraterrestre, cilíndrica, com 20 km de diâmetro e 50 km de comprimento? Como será um mar interior de forma cilíndrica, que podemos admirar do chão ao tecto, a partir de uma ilha cheia de enormes prédios extraterrestres? E como será a ainda maior fábrica onde tais naves são construídas? Fincher nunca mais se despacha com o filme, que era suposto ter saído há séculos. Eu gostava de o ver, não pelo filme em si, mas para ver finalmente a magnífica nave de um modo credível, com o realismo da computação gráfica, sem a ambiguidade da minha imaginação e com a magia de Giraud (Moebius).

Esperemos que Fincher não estrague tudo: li aqui que "Fincher talks about doing Rama like the book Into Thin Air about the climbing of Everest, making it less about the sense of wonder, alien first contact story and more a drama of exploration and human survival". Francamente, vai ser mais um Aarghmageddon? Mas qual é o mal do "sense of wonder" nos filmes?!


sexta-feira, março 12

O dito cujo lustre 


O Lustre de Joana Vasconcelos 

Ontem a Joana Vasconcelos, escultora, esteve em Coimbra a desvendar um bocadinho das suas criações. A Joana Vasconcelos é inteligente e dona de um sentido de humor fino, às vezes a raiar o subversivo e convenceu completamente os que a ouviam. Apenas um exemplo da sua obra, “A Noiva”, um lustre que tem 4,70 m como qualquer lustre que se preze, mas que ao invés de ser de cristal ou de pingentes de vidro, foi todo ele construído com tampões OB. Segundo ela o plástico com que são revestidos esses objectos reflecte a luz quase tão bem como o vidro! E só mais tarde o público descobre de que é feito tão aristocrata objecto, para muitas vezes concluir, “É nojento”!



quarta-feira, março 10

Bertrand Russell's Liberal Decalogue 

Tomei hoje conhecimento deste fantástico texto de Bertrand Russell, que deveria ser o decálogo de qualquer cientista digno desse nome.


"Perhaps the essence of the Liberal outlook could be summed up in a new decalogue, not intended to replace the old one but only to supplement it. The Ten Commandments that, as a teacher, I should wish to promulgate, might be set forth as follows:

1. Do not feel absolutely certain of anything.

2. Do not think it worth while to proceed by concealing evidence, for the evidence is sure to come to light.

3. Never try to discourage thinking, for you are sure to succeed.

4. When you meet with opposition, even if it should be from your husband or your children, endeavor to overcome it by argument and not by authority, for a victory dependent upon authority is unreal and illusory.

5. Have no respect for the authority of others, for there are always contrary authorities to be found.

6. Do not use power to suppress opinions you think pernicious, for if you do the opinions will suppress you.

7. Do not fear to be eccentric in opinion, for every opinion now accepted was once eccentric.

8. Find more pleasure in intelligent dissent that in passive agreement, for, if you value intelligence as you should, the former implies a deeper agreement than the latter.

9. Be scrupulously truthful, even if the truth is inconvenient, for it is more inconvenient when you try to conceal it.

10. Do not feel envious of the happiness of those who live in a fool's paradise, for only a fool will think that it is happiness."


"A Liberal Decalogue" The Autobiography of Bertrand Russell, Vol. 3: 1944-1969, pp. 71-2.

XXV 

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente de uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.

Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que nós sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.

Alberto Caeiro

A mulher é... 



segunda-feira, março 8

Uma boa ideia 

O João de 11 anos frequenta o 5º ano num colégio privado de Coimbra. O João tem todas as disciplinas que todos os meninos do 5º ano têm e mais uma que o João adora: Raízes Greco-Latinas da Civilização Ocidental (não sei se é exactamente este o nome, o João ralha-me frequentemente por eu fazer este tipo de confusões, mas se o nome não é este poderia ser). É uma disciplina assim um bocadinho mágica, onde aprendem história, mitologia, o alfabeto grego e a equivalência para o nosso alfabeto (os miúdos adoram porque é para eles como um código secreto) e, muito importante, aprendem a origem da maioria das nossas palavras. E quem aprende assim não mais esquece. Ontem o João interrogava-se “porque que é que claustrofobia é o medo dos espaços fechados se claustros são sítios abertos?”, e eu própria não atinei com uma resposta imediata. Resta acrescentar que como não havia manual, as duas professoras da disciplina fizeram elas próprias um que lhes deve ter dado um trabalhão, mas o resultado é óptimo.

haiti ii 

não resisto, face aos últimos desenvolvimentos, a republicar este post_

Haiti (Caetano Veloso . Gilberto Gil, 1994)

Quando voce for convidado pro subir no adro
Da Fundação Casa de Jorge Amado
Para ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
dando porrada na nuca de malandros pretos
de ladrões mulatos e outros quase brancos
tratados como pretos
só para mostrar aos outros quase pretos
(e são quase todos pretos)
e aos quase brancos pobres como pretos
como é que pretos, pobres e mulatos
e quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
e não importa se os olhos do mundo inteiro
possam estar por um momento voltados para o largo
onde os escravos eram castigados
e hoje um batuque um batuque
com a pureza de meninos uniformizados da escola secundária
em dia de parada
e a grandeza épica de um povo em formação
nos atrai, nos deslumbra e estimula
não importa nada: nem o traço do sobrado
nem a lente do Fantástico, nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
se você for ver a festa do Pelo, e se vocé não for
Pense no Haiti, Reze pelo Haiti
o Haiti é aqui - o Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer qualquer
plano de educação que pareça fácil
que pareça fácil e rápido
e vá representar uma ameaça de democratização
do ensino de primeiro grau
e se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
e o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
e nenhum no marginal
e se, ao furar o sinal, o velho sinal
Vermelho habitual,
notar um homem mijando na esquina da rua sobre um
saco brilhante de lixo do Leblon
e quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefensos, mas presos são quase todos pretos
ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
e pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
e quando você for dar uma volta no caribe
e quando for trepar sem camisinha
e apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, Reze pelo Haiti
o Haiti é aqui - o Haiti não é aqui.

Imagine... 

Imaginemos que, de um momento para o outro, os cangurus invadiam Portugal. E que havia elefantes no Pólo Sul, tal como palmeiras, edelweiss e lamas. Uma praga de gafanhotos na Suécia. Tigres por todo o lado. Couves no Saara, tartarugas gigantes em Andorra, baleias azuis no lago Titicaca. Imaginemos que, de repente, qualquer ser vivo se pode dispersar pelo planeta, deslocando-se rapidamente, competindo e cruzando-se com todos os outros. Sim, porque não haveria barreiras entre espécies. Mais ainda: imaginemos que os seres vivos eram inteligentes e que sabiam como cruzar-se para atingir os seus objectivos, quaisquer que eles fossem. Que magníficos seres resultariam de tal miscelânea e de tão feroz competição?

Não é preciso imaginar muito. Há a internet, as telecomunicações, os blogues... Olhemos simplesmente para o mundo das ideias global.

domingo, março 7

São medusas, meu senhor 

Através da formiga cheguei a um interessante artigo sobre os padrões cerebrais que traduzem o modo como se dá a propagação de impulsos eléctricos no nosso cérebro. Há também filmes que, especulo, podem estar a mostrar muito mais do que aquilo que pensamos. Alguns dos padrões parecem medusas, refere o artigo. Outros, para os meus olhos parecem-se com fogos florestais, vírus, ou ainda a propagação de memes de informação (cultura) na nossa sociedade, na web, na blogosfera, nos media, no boca-a-boca... Tudo isto me parece tão importante para nos conhecermos, individualmente e em sociedade...

Acho natural que existam tantas analogias entre coisas aparentemente tão distintas: tudo isto é propagação de informação, através de uma rede de entidades ligadas entre si, onde cada uma provoca uma reacção na seguinte. O "wiring" da rede e a forma particular como cada nó reage à informação (o "comportamento") definem em grande parte o padrão. É curioso ver como o espaço é importante: no mundo físico, entidades próximas entre si tendem a estar mais linkadas do que entidades distantes. No entanto, caminhamos para um mundo cada vez mais cibernético e globalizado, onde há cada vez mais ligações entre nós distantes.

"Estar perto" é na realidade "estar muito linkado"...

P.S. - Nem por acaso, dei agora com algo que tinha escrito aqui há tempos e que vem a propósito:
"Sinto-me como se estivesse a conhecer uma enorme cidade, viajando de metro. No início, retenho alguns monumentos, praças, ruas, mas não faço ideia como ir de um para outro lugar a pé. Aos poucos, à medida que vou passeando e conhecendo a cidade, dou conta que lugares que julgava serem muito distantes afinal estão próximos, por vezes ao virar da esquina. Acontece o mesmo com certos conceitos: por vezes descobrem-se novas ligações que mostram quão próximos estão... "

[Nota: este texto foi editado após uma chamada de atenção, que agradeço, feita por alguém que prezo e que percebe realmente destas coisas. A versão anterior do post continha efectivamente erros, pelos quais peço desculpa aos leitores.]

sexta-feira, março 5

buracos negros 

tradução livre de artigo da revista "The Economist", de 4 de março de 2004

hoje são cabeludos, mas o que é que existe dentro de um buraco negro?

desde o momento em que john wheeler criou a designação "buraco negro", que esse fenómeno astronómico complexo mantém uma fascinação especial tanto para físicos como para leigos_ os físicos estão interessados nele em virtude das condições extremas que se verificam no seu interior e limiar, uma região onde a gravidade é tão forte que se pensava que nada, nem a própria luz, poderia escapar_ essas condições permitem testar a intersecção entre as duas teorias que estão no centro da física moderna: a mecânica quântica e teoria da relatividade de einstein (também conhecida como a teoria geral da relatividade)_ ambas as teorias concordam perfeitamente com as observações até agora realizadas_ mas as duas parecem incompatíveis uma com a outra, colocando fora do alcance um grande teoria unificada_ muitos físicos gostariam de ultrapassar mais este obstáculo_

os leigo são provavelmente mais cativados pela nomenclatura de wheeler do que pelos detalhes da física_ mas os buracos negros não são realmente negros_ num artigo que o catapultou para a fama em 1974, stephan hawking preveu que alguns buracos negros deveriam emitir radiação (apesar de uma forma que ainda não está totalmente percebida)_ e agora, parece que outra frase famosa de wheeler, que "os buracos negros não têm cabelo", também é falsa_

o que wheeler queria dizer com a calvice dos buracos negros é que eles podiam ser caracterizados apenas por três números: massa, momento angular (de uma forma simples, está relacionado com a sua velocidade de rotação) e a carga eléctrica_ para descrever uma estrela, teria de se saber, pelo contrário, o que cada um dos ziliões de átomos no seu interior estava a fazer_ logo que hawkings descobriu que um buraco negro radia, a falta de cabelo levou a um paradoxo_ deixando cair qualquer coisa dentro de um buraco negro, por exemplo uma enciclopédia, e ela seria destruída e eventualmente reemitida de uma forma aleatória sob a forma de radiação de hawking_ a informação na enciclopédia seria assim perdida_ mas a mecânica quântica diz, de uma forma talvez surpreendente, que a informação não pode ser destruída! se a enciclopédia caisse numa estrela seria possível (apesar de claramente muito difícil) reconstruí-la através da inversão das trajectórias de todos os átomos de que era composta_

antes do artigo de hawking, essa questão era contornada porque ninguém conseguia provar que a informação não estaria preservada de uma qualquer forma dentro do buraco negro_ mas a radiação de hawking, que é prevista por uma combinação ad-hoc da relatividade com a mecânica quântica, destrói esse estratagema e produz um aparente paradoxo_

num artigo acabado de publicar na revista "nuclear physics b", samir mathur e os seus colegas da ohio state university parecem ter resolvido o paradoxo recorrendo à teoria de cordas, a qual é a melhor tentativa disponível para reconciliar a relatividade com a mecânica quântica_ esta teoria, que postula que tudo no universo é uma consequência de minúsculas cordas oscilando em 10 dimensões, pensava-se que teria consequências observáveis apenas a escalas muito pequenas, tão menores que os átomos como estes o são relativamente ao sistema solar! mathur mostrou, no entanto, que para densidades elevadas da matéria, como as que se verificam no interior de um buraco negro, os efeitos atribuíveis às cordas podem aumentar até grandes escalas_

de acordo com mathur, o interior de um buraco negro pode ser visto como uma bola de cordas_ esta bola modula a radiação de hawking de uma forma que reflecte o arranjo das cordas dentro do buraco_ e então ela actua como um repositório da informação transportada pelas coisas que cairam no buraco e, como é requerido pela mecânica quântica, não ocorre destruição de informação_

para além de resolver o paradoxo da informação, esta teoria possui o benefício acrescido, pelo menos nos casos especiais que mathur foi capaz de resolver de uma forma exacta, de se livrar da singularidade que se pensava existir no centro de cada buraco negro_ uma singularidade é uma anomalia matemática onde as teorias físicas, como a teoria da relatividade, não se podem aplicar porque quantidades que deveriam ser finitas divergem para infinito_ isto quer dizer que os físicos são incapazes, mesmo em princípio, de explicar o que na realidade está a acontecer naquele ponto_ seria então um importante bónus se mathur estiver correcto e as singularidades não existirem_

o seu resultado tem ainda implicações em assuntos mais vastos de cosmologia_ o universo primitivo teria uma densidade semelhante à de um buraco negro, e então a "bola de cordas" da teoria poderia ser aplicada também aqui_ apesar de mathur ser cauteloso neste aspecto, a sua teoria poderia fornecer uma explicação alternativa acerca do porquê do universo, quando visto em grande escala, parecer tão uniforme_

de momento, esta uniformidade é explicada através de um fenómeno conhecido como a inflação cósmica, na qual o universo é suposto ter sofrido uma expansão rápida quando era muito novo_ esta expansão teria "congelado" o estado inicial uniforme do universo ao impedir a formação de concentrações locais de matéria_ ligando o universo primitivo através das cordas poderia fornecer uma explicação alternativa para a uniformidade cósmica_

a teoria das cordas é frequentemente criticada porque é abstracta e então difícil de comparar com a realidade_ mas apesar de ninguém ainda ter visto um buraco negro de perto, e então poder testar as ideias de mathur na realidade, o facto da teoria das cordas parecer capaz, neste caso, de resolver inconsistências de longa data entre a teoria da relatividade e a mecânica quântica é um ponto importante a seu favor_

nota: os buracos negros deixaram de ser objectos de ficção científica e existem já vários candidatos nas observações astronómicas_ a realidade é mais estranha que a ficção...

referências:
o artigo de samir mathur está publicado na Nuclear Physics B (para ver o resumo)
Bartleby.com publica a teoria geral da relatividade
pode ver também a home page de stephen hawking

A verdadeira garra dos portugueses... 

Estádios: 10 Casa da Música: 0!!!!



Imagem daqui mas também há aqui


quinta-feira, março 4

Água pura ou limpa? 

Vem no Público de ontem que a Coca Cola comercializa a marca de água Dasani, que é a segunda mais vendiada nos EUA e que é recolhida na rede pública e depois filtrada e engarrafada. Que grande negócio!

Dizem os responsáveis da Coca Cola que água tem assim o grau de pureza máxima. Deve, no entanto, salientar-se que, para um químico, a água pura é água destilada, desionizada, e sujeita a outros processos, dos quais resulta um material com um mínimo de subtâncias dissolvidas, constituído essencialmente por moléculas de H2O. A maioria dos especialistas dizem que esta água não serve para beber, pois a médio ou longo prazo causaria deficiência de minerais no nosso corpo, e as doenças daí resultantes. De forma idêntica, a água com excesso de minerais dissolvidos terá o efeito oposto, claro. Não nos esqueçamos que 60% do nosso corpo é água. Dever-se-ia assim falar, com mais correcção, de água limpa.

A desinfecção da água da rede com cloro, o uso de floculantes, normalmente sulfato de alumínio, e correctores de acidez, a existência de um excesso de determinados materiais poluentes nos locais de captação, como cloretos, nitratos, e outros, a passagem pelos canos, tudo contribui para que as águas das redes públicas tenham materiais dissolvidos que poderão ser indesejáveis. No entanto, deve referir-se que acredito que haja um controle de qualidade rigoroso destas água. Da mesma forma que acredito que tal aconteça para as água engarrafadas e para as fontes naturais sujeitas a análises. Embora o preço seja realmente completamente diferente (um litro de água da torneira custa em média em Coimbra cerca de 0.001 euros e um litro de uma água engarrafa em média 0.5 euros) pode considerar-se vantajoso evitar o cloro, os floculantes e a passagem pelos canos. A solução das fontes naturais analisadas periodicamente é para mim a mais adequada, permitindo obter o melhor dos dois mundos, e ainda ter-se uma reutilização efectiva dos garrafões de plástico. Embora se possa pôr o problema do aparecimento de bactérias durante o armazenamento, por ser impossível ter uma higiene absoluta, tal pode resolver-se indo à fonte com mais frequência e lavando bem os garrafões. Digo, no entanto, e desde já, que não tenho conseguido que aceitem esta ideia na minha própria casa.

Na escola dos meus filhos esteve um vez um demonstrador científico com um misterioso TDS mostrar como algumas água não eram boas para beber. Primeiro fez uma leitura com o tal TDS e depois realizou a queima dos materiais dissolvidos, que acabaram por surgir à superfície com bastante mau aspecto. Ora o tal TDS é apenas um medidor da condutividade de uma solução que, após ser calibrado, nos dá uma estimativa da quantidade total de sólidos dissolvidos. O processo de queima dos materiais dissolvidos não o percebi bem, pois apenas tenho o testemunho dos meus filhos, mas julgo tratar-se da aplicação de uma corrente eléctrica, acompanhado por aquecimento, obtendo-se assim a oxidação dos materiais dissolvidos. Interessantes foram os resultados: a água da torneira ganhou os testes, o que não deixa de ser boa pedagogia, embora por caminhos demasiados enviesados! Em último ficaram as nossas clássicas águas minerais naturais! Como demonstração científica tudo isto foi péssimo. Não se explicaram os princípios e chegou-se a resultados e conclusões mais pela forte impressão causada na audiência que por observação racional.

Em homeopatia são feitas diluições tão extremas que na prática, se houver uma ou duas partículas do princípo activo num frasco já é muito! Tem-se invocado a memória da água para explicar o efeito destes medicamentos homeopáticos, mas até agora ninguém ganhou o prémio oferecido para a demonstração da existência deste fenómeno! Um bom mau assunto do agrado com certeza do pessoal da Klepsydra.

Finalmente, uma história pitoresca com semelhanças com a da Disani da Coca Cola. António Fontes e João Gomes Sanches no livro "Medicina Popular, ensaio de antropologia médica" referem um curandeiro que vendia água de uma determinada fonte milagrosa, mas que a partir de uma determinada altura, como a procura era muita, começou a engarrafar também água normal, com os mesmos efeitos milagrosos, claro!

Como Gomez de La Serna não posso passar sem um lugar comum: espero não ter metido água!

Portugal no seu melhor - sinalização rodoviária em branco 

Foi no fim-de-semana passado. Vinha do GaiaShopping e queria ir para Coimbra. Procurava a ligação à auto-estrada A1. A dada altura, apareceram 3 painéis de sinalização, daqueles que há nas autoestradas para informar o destino de cada faixa. Duas faixas iam em frente e uma ia para a direita, é tudo o que se conseguia saber, pois os painéis estavam em branco, não havia letras, apenas setas. Sem saber por onde ir, escolhi uma das direcções aleatoriamente, suponho que fui pela direita. Apareceu-me uma nova bifurfação, com um novo painel em branco, apenas com uma seta para a direita. Fiquei sem saber para onde iria se fosse em frente ou se fosse pela direita, escolhi de novo uma direcção ao acaso.

Claro que não fui dar onde queria, à A1. Andei um bom quarto de hora perdido, até lá conseguir chegar. Tal como o painel, fiquei sem palavras. O que será mais surrealista: a patética sinalização propriamente dita ou o facto de alguém se ter dado ao estranho trabalho de lá colocar as placas, não se dando conta de que não serviam rigorosamente para nada? Será arte?

Um post em jeito de painel de sinalização rodoviária (ver explicação no post acima) 











quarta-feira, março 3

o arrefecimento global 

a aceleração da expansão do universo, i.e., a noção de que a taxa de aumento do espaço-tempo desde o big-bang não só não está a diminuir como na realidade está a aumentar, recebeu novos dados experimentais na forma de observações de supernovas feitas pelo telescópio espacial hubble (HST)_ as anteriores medidas dessa aceleração cósmica consistiram em estudos do brilho aparente de explosões supernovas longínquas, e representaram uma revelação importante para alterar a ideia, partilhada por muitos cientistas, de que a atracção gravítica mútua entre as galáxias iria travar ou até inverter a expansão cósmica_ as novas observações do HST consistem numa nova análise de 170 supernovas anteriormente estudadas e no anúncio de 16 novos objectos, incluindo 6 das 7 supernovas de tipo Ia mais distantes jamais registadas_ os novos dados confirmam a hipótese de uma expansão em aceleração, recorrendo ao misterioso mecanismo geralmente designado por "energia negra"_ com os novos dados a energia do universo estaria dividida da seguinte forma: 29% sob a forma de matéria (negra e luminosa) e 71% como energia negra_

referências: conferência de imprensa da NASA de 20 de fevereiro de 2004
Riess et al., "Type Ia Supernova Discoveries at z>1 From the Hubble Space Telescope: Evidence for Past Deceleration and Constraints on Dark Energy Evolution" preprint astro-ph/0402512

tradução livre do PHYSICS NEWS UPDATE, The American Institute of Physics Bulletin of Physics News, Number 675 March 3, 2004 by Phillip F. Schewe, Ben Stein

comentário: parece que o universo vai mesmo ter um fim "frio", quando toda a energia se diluir por um volume de espaço-tempo cada vez maior_ mas existe ainda imenso trabalho a fazer, quer seja na interpretação dos resultados quer na descoberta do que constitui essa misteriosa "energia negra"_ a explicação talvez passe por uma revisão completa do modelo cosmológico, da geometria do espaço-tempo, do conhecimento da força da gravidade,... são tempos excitantes estes!

terça-feira, março 2

Aleluia! 

Estou a beliscar-me. E hoje não é primeiro de Abril!

segunda-feira, março 1

Geração apagão 


(à saída de Coimbra, perto do Choupal)

Obrigada Helena Matos por nos abrir os olhos! 

Um ano depois ainda há quem continue a utilizar o discurso mais que primário (e que deu no tristíssimo Iraque o que toda a gente sabe) de “... pois eles não são nenhuns santinhos, mas entre um país democrata e uma ditadura, temos que nos pôr do lado da democracia”. Mesmo que o país supostamente democrata viole o direito internacional, mesmo que destrua aldeias com os seus buldozers, que se proponha construir um muro de vergonha, que prenda rapazes e raparigas só porque eles se recusam a empunhar armas para matar os seus vizinhos. Helena Matos no Publico de sábado usa a “teoria da conspiração” (que hoje Alexandra Lucas Coelho desmonta no Público) para se colocar de consciência tranquila e incondicionalmente ao lado do exército e do governo de Israel.


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