<$BlogRSDUrl$>

sexta-feira, novembro 28

A mensuração correcta 

É impossível ficar indiferente ao que se passa com a avaliação dos professores, seja para concordar com uma das duas partes, seja para fazer as malas e emigrar desistindo de tudo. Nada como uma leitura sobre o documento quente (Decreto Regulamentar n.º 2/2008) para perceber melhor o que está em causa.
Evidentemente, que eu olho para estas coisas toldado pela medida científica e pelo rigor que lhe é implícito... E, cedo percebo algumas coisas insólitas: o instrumento de medida (chamam-lhe de avaliação, mas vai dar ao mesmo - a menos que haja alguma coisa aqui que me escape) depende do ponto geográfico, do tempo, do operador e até do objecto de medida. Com estas características, serve para quê?

Etiquetas:


terça-feira, fevereiro 12

Do ensino da música 

Concordar com o que escreve, Fernando Sobral, seria demasiado optimista. Era acreditar que temos, agora, uma nação com alma crítica... era acreditar, entre outras coisas, na bondade do sistema que temos para o ensino da música às nossas crianças. Nada mais falso. O maestro Virgílio Caseiro, que tem ao longo da vida lutado pela primordial importância da música na educação, diz com graça e ironia, quando pede aos adultos que acompanhem com la, la, las as músicas que os seus alunos executam, “porque o la foi a única nota que o sistema educativo português nos ensinou”.
Mas o que os meninos de hoje têm é pouco mais . No ano em que o meu filho entrou no primeiro grau de violoncelo havia no conservatório de Coimbra duas vagas para esse instrumento, em duzentos mil habitantes de Coimbra e arredores 2 crianças tiveram, nesse ano, possibilidade de começar a estudar violoncelo no conservatório. Com os miúdos do primeiro ciclo acontece a mesma coisa, por cada um que entra, centenas ficam de fora. E quantas escolas públicas de música há em Portugal? Uma dúzia?
Se eu acho que por ser para poucos deve acabar? Claro que não, como me dizia um professora do conservatório, começar um instrumento no 1º grau, é como começar a escolaridade obrigatória no 5º ano, sem ter feito a primária. Se acredito no ensino da música que se faz actualmente nas escolas do 1º ciclo? Claro que não, as aulas de enriquecimento qualquer coisa, ao que sei, não servem nem para atirar areia para os olhos. Todos os miúdos têm que ter um ensino da música de qualidade, independentemente da vocação, independentemente de virem a ingressar ou não no conservatório. Isso, para mim, é que é óbvio e essencial.


adenda

Há 6 escolas públicas de ensino especializado da música.

Para quem quiser aí está o polémico relatório. Ao contrário de muita gente eu não acho que este relatório tenha sido elaborado por um bando de malfeitores a soldo de outro bando de malfeitores. Se as soluções que preconizam para os problemas do ensino artístico em Portugal (e que numa leitura hiper-transversal me parecem correctamente identificados) são as melhores é que já não sei.

Etiquetas: ,


quinta-feira, novembro 1

Os Rankings, a escola pública, o estatuto do aluno 

E de como isto é tudo uma pescadinha de rabo na boca e de como é urgente e necessário tirar o rabo da boca da pescadinha.

Ontem fui a um supermercado de subúrbio e dei por mim a meditar nas desigualdades sociais e culturais que persistem (ou aumentam) neste país. Os clientes daquele supermercado são o país real, e quem já frequentou estes locais sabe, certamente, do que é que eu estou a falar.
E como este país fica a léguas do país dos meus filhos e dos seus amigos que frequentam um colégio privado muito bem colocado nos rankings.

A primeira vez que ouvi falar do estatuto do aluno, juro por Deus, entrevi-lhe a bondade e por isso muito admirada fiquei ao vê-lo tão criticado. Pareceu-me a mim que esse estatuto visava uma maior inclusão dos chamados “alunos problemáticos” e uma maior responsabilização das famílias. Isso foi o que eu vi (do estatuto conheço só o que leio e oiço rapidamente na comunicação social), o que o Vasco Pulido Valente e outros colunistas de direita (às vezes é-me difícil distinguir o que é que é uma posição de direita ou de esquerda, mas aqui está um caso em que consigo claramente dizer, de direita…), foi o descrédito do Sistema de Ensino. OVPV e esses outros vivem num país que não existe, no país do colégio dos meus filhos. A esses, aos meninos do colégio dos meus filhos, e de muitas outras escolas privadas e públicas por esse país fora, este estatuto não aquenta nem arrefenta. Não passa pela cabeça desses alunos, nem dos pais deles, que os miúdos vão agora começar a faltar às aulas só porque dificilmente chumbarão por faltas. Mas as escolas estão cheias de crianças e jovens que têm poucas ou nenhumas expectativas em relação ao futuro e à relevância do ensino para um futuro melhor. São normalmente filhos de pais que pensam exactamente do mesmo modo. Pais que são chamados à escola uma e outra vez e que nunca aparecem, que não sabem nem querem saber se quando os filhos saem de manhã vão para a escola ou para outro sítio qualquer. E se queremos que no futuro haja menos pais e menos filhos assim, não se pode agora desistir dos filhos, e medidas de inclusão (não de desresponsabilização) são bem-vindas. Eis porque me pareceu bom este novo estatuto do aluno.
Porque é que as escolas bem posicionadas nos rankings estão bem posicionadas nos rankings? Por um conjunto de razões, que se calhar se podem traduzir numa expressão só, expectativas elevadas: dos miúdos, da família dos miúdos, da escola em relação aos alunos, dos alunos e dos pais dos alunos em relação à escola. Nem sequer passa pela cabeça de nenhum dos intervenientes que as coisas possam ser de outra maneira.

Voltarei a este assunto.

Etiquetas: , ,


segunda-feira, setembro 17

Os computadores nas escolas 

comentários a um post de Rui Baptista no De Rerum Natura

E no entanto eles existem!

Evidentemente que os computadores, por si só, não vão resolver todos os problemas do ensino em Portugal, mas

1 É inegável o seu papel na aquisição de conhecimentos e quanto mais cedo os miúdos se habituarem a utiliza-los (supervisionados, obviamente) mais proveito retirarão na sua utilização.

2 Porque é que os seus filhos (se os tem) e os meus hão-de ter acesso à informática e outros, porque nascidos noutros meios não o hão-de ter, seria no mínimo uma grande injustiça.

3 No meu tempo de faculdade havia muito quem copiasse relatórios inteiros feitos por alunos dos anos anteriores (e até feitos pelos professores das cadeiras quando tinham sido alunos). Dava era mais trabalho.

4 No meu tempo de liceu copiavam-se páginas inteiras de enciclopédias. Dava era mais trabalho, mas o benefício para a aprendizagem não era seguramente maior.

5 Quando não se utilizavam folhas de cálculo, utilizavam-se calculadoras, e do mesmo modo os miúdos diziam que a área da sala que tinham calculado era de 5 km2 porque tinha sido esse resultado que tinha “dado” a calculadora. Sentido crítico sim, proteccionismo não, é como dizer acabe-se com os telefones porque quando se comunicava por carta as pessoas escreviam muito melhor.

6 Evidentemente que a existência de computadores nas escolas cria novos desafios aos professores. E o maior não será distinguirem um trabalho original de um plágio, quando ainda por cima os miúdos copiam sobretudo páginas brasileiras (pela abundância), mas o desenvolver do sentido crítico e do gosto de fazer as coisas bem feitas. Só pode distinguir o trigo do joio quem conhece o trigo e conhece o joio.

Etiquetas: ,


terça-feira, maio 29

As coisas que se ouvem de manhã 

Uma professora de português a justificar o injustificável: nas provas globais de português, no capítulo em que se avalia a capacidade de compreensão de um texto, os erros ortográficos não são considerados. Mais abaixo, quando se avalia a ortografia, aí sim … sem se darem conta da mensagem esquizofrénica que passam às crianças, só às vezes é que é preciso escrever sem erros. O que até vai de acordo ao que elas, crianças e adolescentes fazem todos os dias nos messengers, sms, etc. E assim se cuida da língua.

Etiquetas: ,


This page is powered by Blogger. Isn't yours? Weblog Commenting by HaloScan.com