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quarta-feira, setembro 10

ver claro 

toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura_
o leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si_
e o nevoeiro nunca deixa ver claro_
se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade_
Abençoado seja se lá chegar_

eugénio de andrade, os sulcos da sede, 2001

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