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segunda-feira, agosto 18

as camenassas de díli 

eram corolas róseas debruadas
em fímbria de marfim,
caindo uma a uma sobre a estrada,
sem que o vento ou o sopro as desligasse
da copa verde afim_

eram tão delicadas... um só raiar
de fios luminosos entre os limbos,
na tépida penumbra esmaecida
de musgos e raízes_

tamanha maravilha sossegava
matutinos ardores,
esmoreciam loucos devaneios
de acelerar o ritmo da vida
antes que a natureza proclamasse
livre a fase finda_

eram tão delicadas... mas a bruta,
imbecil, canhestra,
mentecapta alcateia
de homens ciosos sem qualquer ideia,
tomou posse de díli-jardim,
arrancou árvores, desviou ribeiras,
transformou a cidade
num deserto de casas sem memória,
sem corolas caindo sobre a estrada_

Ruy Cinatti - uma sequência timorense (1970)

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