<$BlogRSDUrl$>

sábado, julho 5

a festa dos sentidos 

há um ano atrás estava em dili, timor leste, a dar aulas _ uma colega do curso de formação de professores de português (de seu nome elisa s) resolveu organizar uma festa a que chamou "a festa dos sentidos" _ essa festa consistiu na declamação de poesia, em português, por professores e alunos _ também chamado a participar, li, com outros colegas, dois poemas da sophia de mello breyner _ leram-se poemas de autores lusofonos _ mas o momento alto, para mim, foi a (brilhante) leitura de um longo poema de ruy cinatti (conhecem? vale a pena descobrir), o mais timorense dos nossos autores, por uma senhora timorense _ um poema que fala das dificuldades do povo timorense, da sua luta, intercalado com a avé maria _ tenho-o algures em casa _ vieram-me as lagrimas aos olhos _ a poesia tem destas coisas _
li a semana passada que existiu (existe?) uma corrente artística, cujo nome pode ser livremente traduzida por poemismo, que defende que a poesia é a mais importante de todas as artes por umas razões que já não recordo bem mas que tem a ver com a substância dessa arte (as palavras) e com o resultado final (o que a imaginação conseguir) _ pelo menos é uma das artes mais "portateis" _ quando proibirem todas as outras formas de arte, podemos ainda guardar alguns poemas na memória e recitá-los em reuniões clandestinas com os amigos _ não precisa de suporte físico _ conhecem um filme do truffaut chamado "farenheit ..." (tem um número que é a temperatura a que o papel arde) acerca de um mundo onde os livros são proibidos? _ quando a polícia apanha um livro queima-o imediatamente (a essa tal temperatura) _ a resistência dedica-se a decorar os livros que restam, cada pessoa é um livro vivo!

Comments: Enviar um comentário
This page is powered by Blogger. Isn't yours? Weblog Commenting by HaloScan.com