Domingo, Fevereiro 7
Surrealismo
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"O sono" de Salvador Dali. Ou o PS, silencioso, adormecido precariamente no poder, sem perceber que antes de ser fiel ao líder deve ser fiel aos interesses do país.
Quinta-feira, Fevereiro 4
A realidade
Depois de tanto tempo com as visões cor-de-rosa de Sócrates, parece que é desta que vamos cair na real.
Terça-feira, Fevereiro 2
Como somos levados
Domingo, Janeiro 24
Felice Varini: pintar o espaço como uma tela...
Sexta-feira, Janeiro 8
Um livro e bom ano

Queridos e muito pacientes leitores deste blogue, queridos porque só pode, pacientes porque quem espera desespera e devem andar desesperados com tanta falta de notícia daqui; foi tempo...
Retomando, queridos e muito pacientes leitores deste blogue, deixem-me em primeiro lugar saudar-vos e desejar-vos um óptimo ano de 2010. Aproveito para recomendar a todos vós, leitores que tendes filhos, sobrinhos, irmãos pequenos, afilhados, sei lá, este lindo livro, muito bem ilustrado e que trata a matemática e mais propriamente os triângulos, quadriláteros, pentágonos e por aí fora, como gente grande mas divertida.
Sobre este livro já se escreveu, muito mais doutamente, aqui.
Terça-feira, Dezembro 8
Gripe A: actualização
Será talvez interessante actualizar a informação dos gráficos deste post, para observarmos como tem evoluído a gripe A nos Estados Unidos, o país onde se registaram mais mortes até ao momento (gráficos do CDC):


Sem dúvida que está a ser um ano diferente e felizmente a gripe A tem vindo a diminuir de actividade nos EUA nestas últimas semanas. É fácil imaginar que as curvas vão continuar a diminuir de forma significativa até chegar praticamente a zero, como de resto suponho que terá acontecido em países do hemisfério sul, como o Brasil, a Argentina ou a Austrália. No entanto, algo me diz que seria demasiado fácil: se compararmos com os anos anteriores, observamos que a época típica da gripe sazonal (a das curvas a verde no gráfico de cima, com início a partir da semana ~52) este ano ainda nem começou... Por outro lado, começam a ser confirmadas mutações do vírus em vários países, bem como casos de infecções duplas, como se vê no final da "pandemic timeline" da wikipédia.
Provavelmente o melhor será, tranquilamente, continuar a seguir a situação, sem tentar prever demasiado e esperando que tudo corra pelo melhor.


Sem dúvida que está a ser um ano diferente e felizmente a gripe A tem vindo a diminuir de actividade nos EUA nestas últimas semanas. É fácil imaginar que as curvas vão continuar a diminuir de forma significativa até chegar praticamente a zero, como de resto suponho que terá acontecido em países do hemisfério sul, como o Brasil, a Argentina ou a Austrália. No entanto, algo me diz que seria demasiado fácil: se compararmos com os anos anteriores, observamos que a época típica da gripe sazonal (a das curvas a verde no gráfico de cima, com início a partir da semana ~52) este ano ainda nem começou... Por outro lado, começam a ser confirmadas mutações do vírus em vários países, bem como casos de infecções duplas, como se vê no final da "pandemic timeline" da wikipédia.
Provavelmente o melhor será, tranquilamente, continuar a seguir a situação, sem tentar prever demasiado e esperando que tudo corra pelo melhor.
Sexta-feira, Dezembro 4
Oh! Srº Deputado, isto não é um interrogatório policial!
(...) e se, de repente:
1) perante a pergunta de um professor o aluno respondesse
- Oh! Srº Professor, isto não é um interrogatório policial!
2) perante uma questão de um aluno o professor respondesse
- Oh! Meu caro, isto não é um interrogatório policial!
3) perante uma pergunta de um juiz o réu respondesse
- Oh! Meritíssimo Juiz, isto não é um interrogatório policial!
4) perante uma questão de um polícia o sujeito respondesse
- Oh! Srº Agente, isto não é um interrogatório policial!
(Ah! Espera... este é :) )
5) perante alguém que pergunta as horas, o interlocutor respondesse
- Oh! Chefe, isto não é um interrogatório policial!
6) perante o médico que pergunta as queixas, o doente respondesse
- Oh! Srº Drº, isto não é um interrogatório policial!
7) perante um jornalista que faz uma questão ao entrevistado:
- Oh! Xico, isto não é um interrogatório policial!
...

1) perante a pergunta de um professor o aluno respondesse
- Oh! Srº Professor, isto não é um interrogatório policial!
2) perante uma questão de um aluno o professor respondesse
- Oh! Meu caro, isto não é um interrogatório policial!
3) perante uma pergunta de um juiz o réu respondesse
- Oh! Meritíssimo Juiz, isto não é um interrogatório policial!
4) perante uma questão de um polícia o sujeito respondesse
- Oh! Srº Agente, isto não é um interrogatório policial!
(Ah! Espera... este é :) )
5) perante alguém que pergunta as horas, o interlocutor respondesse
- Oh! Chefe, isto não é um interrogatório policial!
6) perante o médico que pergunta as queixas, o doente respondesse
- Oh! Srº Drº, isto não é um interrogatório policial!
7) perante um jornalista que faz uma questão ao entrevistado:
- Oh! Xico, isto não é um interrogatório policial!
...
Terça-feira, Dezembro 1
Climategate
Já por diversas vezes li as mais rebuscadas teorias sobre as mais diversas situações. Na esmagadora maioria dos casos não perco muito tempo porque é notória a base de "teoria da conspiração" que move os autores. O que eu não estava à espera era disto. Estava perfeitamente convencido do aquecimento global e nem tampouco ouvia os argumentos contrários (e como os ouvi!!)...
A história pode também ser vista aqui.
Neste momento nem sei o que pensar... a minha confiança na ciência e no processo de revisão pelos pares ficou abalada. Resta-me esperar que este assunto seja devidamente esclarecido!
A história pode também ser vista aqui.
Neste momento nem sei o que pensar... a minha confiança na ciência e no processo de revisão pelos pares ficou abalada. Resta-me esperar que este assunto seja devidamente esclarecido!
Sábado, Novembro 21
O Mandelbulb 3D...
...ou uma tentativa de criar uma versão tridimensional do conjunto de Mandelbrot. Há bonitas imagens aqui, mas tudo é ainda mais belo quando para além da complexidade se vê a extrema simplicidade. E na complexa natureza, que outras simplicidades se vão ainda descobrir?


Sábado, Outubro 17
O trigo e o joio
Há dias o bastonário da Ordem dos Médicos dizia que a gripe A "não passa de uma gripe, uma doença banal, pouco letal". Hoje chega-me este vídeo, muito divulgado em blogues, supostamente de uma ex-ministra da Saúde da Finlândia com umas teorias de conspiração bastante desvairadas sobre a gripe A. Com uma pesquisa rápida na incerta wikipédia, vejo que a senhora nunca foi ministra da saúde, mas gosta de se apresentar como tendo sido e pelos vistos não regula muito bem.
Vivemos cada vez mais submergidos por informação, muita dela irrelevante (spam, publicidade), que só nos faz perder tempo. Também por isso temos cada vez mais dificuldade em analisar a fiabilidade da informação que recebemos. Pessoalmente, sobre a gripe A, gosto de seguir o blogue de João Vasconcelos Costa que me parece prudente e equilibrado e sobretudo, o site do CDC, de onde vêm os gráficos abaixo e que me dizem que a gripe A não é tão banal quanto certas fontes supostamente credíveis poderiam deixar supor. É uma doença diferente, poderá não ser tão preocupante quanto ao princípio se julgava, mas é real (não é uma conspiração) e a sua evolução deve ser acompanhada com atenção.


Vivemos cada vez mais submergidos por informação, muita dela irrelevante (spam, publicidade), que só nos faz perder tempo. Também por isso temos cada vez mais dificuldade em analisar a fiabilidade da informação que recebemos. Pessoalmente, sobre a gripe A, gosto de seguir o blogue de João Vasconcelos Costa que me parece prudente e equilibrado e sobretudo, o site do CDC, de onde vêm os gráficos abaixo e que me dizem que a gripe A não é tão banal quanto certas fontes supostamente credíveis poderiam deixar supor. É uma doença diferente, poderá não ser tão preocupante quanto ao princípio se julgava, mas é real (não é uma conspiração) e a sua evolução deve ser acompanhada com atenção.


Terça-feira, Outubro 13
O Bicho Homem e os outros
nanomundo: no combate ao cancro
Lá estarei
Segunda-feira, Outubro 12
Fracos amores
Elisa Ferreira (1/10/2009, durante a campanha):"Eu perco uma gamela para vir para o Porto por amor à cidade."
Elisa Ferreira (11/10/2009, após a campanha): Não vem para o Porto por amor à cidade, ganha uma gamela.
Elisa Ferreira (11/10/2009, após a campanha): Não vem para o Porto por amor à cidade, ganha uma gamela.
Quarta-feira, Outubro 7
Antes de o oxigénio ser descoberto já algo andava no ar...
No livro "The Story of Alchemy and the Beginnings of Chemistry" de M.M. Pattison Muir é referido, citando Hoefer, o que poderá ser a primeira referência ao oxigénio num texto do alquimista do século XVI Basil Valentine. Falando do espírito do mercúrio este alquimista escreveu: origem de todos os metais; esse espírito não é mais que do ar a voar aqui e acolá sem asas; é um vento em movimento, o qual depois de caçado do seu lar Vulcano (ou seja o fogo), volta ao caos; então expande-se e passa para as regiões do ar de onde veio. Pode parecer confuso como a maioria dos textos alquímicos, mas não deixa de fazer algum sentido em termos das propriedades do oxigénio.Sábado, Outubro 3
Observação superficial: figuras de geometria na pedagogia e psicologia
Nos últimos tempos tenho-me deparado com modelos usados em contextos pedagógicos que associam um objecto geométrico ou gráfico a um nome: o vê de Godwin, a espiral de Orion, a escada (e a roda) de Bloom, o triângulo de Johnstone. E em contextos mais gerais já encontrei a janela de Johari e a pirâmide de Maslow. Tudo isto deve ter algum sentido, ou profundo, ou superficial, ou é apenas coincidência. A semiótica poderá ser interessante, mas já não faz as delícias da conversa de salão.A invenção do conceito de oxigénio
Hoje toda a gente sabe que há um gás que representa um quinto da atmosfera que se chama oxigénio e que é fundamental para a respiração dos seres vivos. E que o oxigénio do ar reage com os materiais que são queimados. Mas nem sempre foi assim. Os químicos do século dezoito achavam que as coisas que eram queimadas emitiam uma substância a que chamavam flogisto que aquecia o ar. Ninguém pensava que a combustão tivesse algo que ver com o ar. Priestley, Lavoisier, Scheele e Dalton mudaram tudo, mas devagar e ao longo de vários anos...
Quando Priestley primeiro isolou o oxigénio julgou que tinha obtido gás hilariante. Um ano depois concluiu que tinha removido o flogisto do ar. Ao mesmo tempo Lavoisier também isolou o oxigénio e julgou tratar-se de ar num estado muito puro. Dois anos depois concluiu que era afinal uma parte do ar, mas que só existia quando este era aquecido. Acompanhando o trabalho de Priestley e Lavoisier, Scheele, depois destes, conclui finalmente que o oxigénio é uma parte do ar. Com Dalton, 30 anos depois, o oxigénio é integrado na teoria atómica da matéria. Em termos de conceito o oxigénio foi sendo inventado ao mesmo tempo que o gás foi sendo descoberto. Aquilo que nos parece hoje conhecimento comum já foi um lamaçal de conceitos confusos que demoraram muito tempo a ficar na forma límpida e por vezes aborrecida como os encontramos hoje nos livros da escola.
[adaptação livre do texto de Jonh Lienhard que refere a descoberta do oxigénio em The engines of Our Ingenuity, Oxford, 2000, p. 206-207]
Para saber mais:
Thomas S. Kuhn The Structure of Scientific Revolutions, 1962. (Acabou de ter uma edição em português pela editora Guerra e Paz)
Quando Priestley primeiro isolou o oxigénio julgou que tinha obtido gás hilariante. Um ano depois concluiu que tinha removido o flogisto do ar. Ao mesmo tempo Lavoisier também isolou o oxigénio e julgou tratar-se de ar num estado muito puro. Dois anos depois concluiu que era afinal uma parte do ar, mas que só existia quando este era aquecido. Acompanhando o trabalho de Priestley e Lavoisier, Scheele, depois destes, conclui finalmente que o oxigénio é uma parte do ar. Com Dalton, 30 anos depois, o oxigénio é integrado na teoria atómica da matéria. Em termos de conceito o oxigénio foi sendo inventado ao mesmo tempo que o gás foi sendo descoberto. Aquilo que nos parece hoje conhecimento comum já foi um lamaçal de conceitos confusos que demoraram muito tempo a ficar na forma límpida e por vezes aborrecida como os encontramos hoje nos livros da escola.
[adaptação livre do texto de Jonh Lienhard que refere a descoberta do oxigénio em The engines of Our Ingenuity, Oxford, 2000, p. 206-207]
Para saber mais:
Thomas S. Kuhn The Structure of Scientific Revolutions, 1962. (Acabou de ter uma edição em português pela editora Guerra e Paz)
Acesso ao Ensino Superior 2009 (parte 2)
Se calhar poderia haver alguma esperança para os obcecados com a medicina e para a sociedade, agora que os cursos de medicina têm obrigação legal de recrutar licenciados em cursos de áreas científicas para um número cada vez maior das suas vagas, mas não sei se será mesmo assim, como mostra esta notícia já com uns meses!
E quanto aos números da empregabilidade? As percentagens da OCDE publicadas recentemente são negras, mas quem dá a notícia não nos diz quais os cursos com piores resultados. Suspeitamos que sejam as carradas de licenciados em psicologia, direito, e outros mas não temos a certeza. Os números dos centros de emprego não dizem nada: todos os cursos têm gente lá. Só não há de medicina porque deve ser considerado demasiado humilhante ou absurdo. Nos curso de química e química industrial, que tenho responsabilidades, temos inquéritos aos ex-alunos que indicam uma empregabilidade de 100% no primeiro ano com 40% logo à saída do curso. Deveríamos ter divulgado esses inquéritos para os media; ainda há uns dias vinha referido no Diário Económico em letras gordas um curso com índices idênticos. Mas será que podemos confiar nos jornais? Num diário em que fazia uma lista de cursos com saída na capa aparecia o curso de biologia, mas no miolo do artigo nem uma referência! As universidade privadas há muito que fazem uma publicidade acirrada.Os cursos do Politécnico enchem os centros comerciais na altura das candidaturas. A minha Universidade orgulha-se de preencher as vagas quase todas com uma maioria de primeiras escolhas. Ninguém quer perder a dignidade, mas ter alunos é fundamental.
Mas as Universidades não são só os alunos. As universidade são polos de saber, cultura e inovação. Um excessivo centramento da universidade nos alunos não é bom para ninguém, embora, claro, a razão de ser das universidades seja o estudo e os que estudam: os estudantes.
Sexta-feira, Outubro 2
Campanhas (negras)
Muito se fala de gamelas nos media, a propósito destas declarações de Elisa Ferreira:
«É uma grande vantagem ter alguém que não vem para a câmara porque quer protagonismo ou porque quer uma gamela. Eu perco uma gamela para vir para o Porto por amor à cidade»
Alguns títulos de notícias:
"Estou disposta a 'perder a gamela de Bruxelas'"
"Rangel não gostou da 'gamela' de Elisa"
"Porto: 'Perco uma gamela para vir para a Câmara do Porto' - Elisa Ferreira"
Mas afinal o que é uma gamela? Curiosamente, o dicionário Priberam da Língua Portuguesa diz que é:
"Indivíduo que trabalha como engenheiro sem ser diplomado."
«É uma grande vantagem ter alguém que não vem para a câmara porque quer protagonismo ou porque quer uma gamela. Eu perco uma gamela para vir para o Porto por amor à cidade»
Alguns títulos de notícias:
"Estou disposta a 'perder a gamela de Bruxelas'"
"Rangel não gostou da 'gamela' de Elisa"
"Porto: 'Perco uma gamela para vir para a Câmara do Porto' - Elisa Ferreira"
Mas afinal o que é uma gamela? Curiosamente, o dicionário Priberam da Língua Portuguesa diz que é:
"Indivíduo que trabalha como engenheiro sem ser diplomado."



